Jogaram cadeiras, deram voadoras nas grades. Atearam fogo nos carros alegóricos! Isso não é carnaval, é banditismo.
REFLEXÕES COSMOPOLITAS
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
Carnaval o escambau!
Postado por
Luana Ribeiro
às
15:33
Daí que ontem em São Paulo um maluco invadiu a apuração e rasgou as notas apuradas. Por que, minha gente, essa votação não é feita em urnas eletrônicas? Bem...
Jogaram cadeiras, deram voadoras nas grades. Atearam fogo nos carros alegóricos! Isso não é carnaval, é banditismo.
Jogaram cadeiras, deram voadoras nas grades. Atearam fogo nos carros alegóricos! Isso não é carnaval, é banditismo.
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
Esse moço tá diferente
Postado por
Luana Ribeiro
às
18:02
Novo disco de Chico Buarque revisita temas e apresenta letras mais modestas
O frisson em torno do novo disco de Chico Buarque começou antes mesmo de o álbum chegar às lojas. Pela Internet, quem comprou o CD na pré-venda especial pôde acompanhar o processo de criação daquele que é considerado um dos mestres da música popular brasileira – e as diferenças entre o novo e o velho Chico começam bem aí.
Chico Buarque de Holanda, famoso também por sua reclusão e timidez, mostrou-se tão atualizado quanto Caetano e Gil e postou vídeos – quem diria? – na web. A estratégia moderninha só aumentou a curiosidade acerca do trabalho do queridinho da MBP, que não lançava álbum desde Carioca, em 2006.
Chico é um disco autoral, que revela um homem maduro capaz de despertar paixões - fugazes ou arrebatadoras - mas incapaz de passar incólume por elas. Apesar do compacto ser predominantemente masculino, com letras ora inseguras ora auto-afirmativas, como em “Sou eu”: Quem vai lhe apagar a brasa/ (...) Só quem sabe dela sou eu/ Quem dá o baralho sou eu/ Quem manda no samba sou eu, o letrista aclamado por compreender tão profundamente a alma feminina parece resistir ao tempo, como mostra a faixa “Se eu soubesse”: Ah, se eu pudesse te diria na boa/ Não sou mais uma das tais/ Não ando com a cabeça na lua. Nem cantarei 'eu te amo demais/ Casava com outro se fosse capaz/ Mas acontece que eu saí por aí/ E aí, larari larari larari larara, cantarola Thais Gullin em um dueto com Chico.
Lararis lararas à parte, Chico Buarque aparece mais despreocupado, seja com seus versos ou com os rótulos que durante toda a carreira insistiram em lhe fazer caber. No samba “Barafunda”, a Aurora para quem a faixa “Rubato” é dedicada torna a aparecer na confissão de um boêmio desmemoriado, que não recorda se de fato era Aurora, Glorinha, Maristela, Soraia, Anabela...
Apesar disso, Chico tem uma unidade e funciona como o retrato de um homem que, com cabelos cinza, continua apaixonado e aposta seu tempo em um relacionamento do qual ele próprio desconfia. A semelhança com o diálogo presente em “Noite dos Mascarados”, de 1967, não é mera coincidência, já que a figura do homem mais velho que manda a razão às favas ao envolver-se com uma mulher mais jovem está presente em “Essa pequena”: Meu tempo é curto, o tempo dela sobra/ Meu cabelo é cinza, o dela é cor de abóbora.
As canções do disco têm ritmos variados, o que atesta a instabilidade e confusão típicas de uma paixão. Samba, baião e música étnica se misturam nesse último trabalho de Chico, que lança mão do sentimento a despeito das vociferações políticas de outrora. O cantor, que mesmo sem querer fora porta-voz da luta contra o cerceamento da liberdade de expressão ficou para trás e, aos 67 anos, compõe sobre assuntos leves, como cotidiano (mais uma vez) e amor.
Mas o brilhantismo do autor é ofuscado por esse turbilhão de sentimentos que transborda faixa a faixa. Diferentemente da banda que enfeitou toda a cidade e das letras que arrepiaram paralelepípedos, as novas criações de Chico não se sobressaem ao lado dos trabalhos de jovens como Tulipa Ruiz (“Só sei dançar com você”), Thiago Pethit (“Mapa-Mundi”) e Marcelo Camelo, que também versa sobre a presença feminina no disco Toque Dela. Fosse hoje o festival da música popular brasileira, Chico Buarque correria sério risco de não sagrar-se vencedor. Com rimas simples, as letras dispensam esforço para serem compreendidas: mulheres, amigos, a boemia e a vida aparecem nas músicas que, apesar de terem mais que cento e quarenta caracteres, são breves como as paixões e bem poderiam ser um “twitt musical”.
Talvez a grande sacada de Chico esteja em “Sinhá”, composta em parceria com João Bosco. Escolhida para encerrar o álbum, a música surpreende ao revelar que o disco não passou de um conto: E assim vai se encerrar/ O conto de um cantor/ Com voz do pelourinho/ E ares de senhor/ Cantor atormentado/ Herdeiro sarará. A faixa, aliás, dialoga com Leite Derramado, último romance de Chico, que rememora um Brasil Colônia e também tem características autobiográficas. Pode ser que o disco espelhe a vida sentimental de Chico Buarque, mas o autor deixa a dúvida no ar ao revelar seu álibi – quem preferir pode chamar de piada mesmo; no offense.
Sem dúvida, esse moço está diferente, mas continua misterioso e sagaz como sempre. Não foi à toa que o nome escolhido para essa grande brincadeira tenha sido simplesmente Chico, pois, se em 1994 ele concebia um disco para todos, dezessete anos depois o artista elabora um disco para si, cujo grande axioma é falar de paixão sem paixão.
O frisson em torno do novo disco de Chico Buarque começou antes mesmo de o álbum chegar às lojas. Pela Internet, quem comprou o CD na pré-venda especial pôde acompanhar o processo de criação daquele que é considerado um dos mestres da música popular brasileira – e as diferenças entre o novo e o velho Chico começam bem aí.
Chico Buarque de Holanda, famoso também por sua reclusão e timidez, mostrou-se tão atualizado quanto Caetano e Gil e postou vídeos – quem diria? – na web. A estratégia moderninha só aumentou a curiosidade acerca do trabalho do queridinho da MBP, que não lançava álbum desde Carioca, em 2006.
Chico é um disco autoral, que revela um homem maduro capaz de despertar paixões - fugazes ou arrebatadoras - mas incapaz de passar incólume por elas. Apesar do compacto ser predominantemente masculino, com letras ora inseguras ora auto-afirmativas, como em “Sou eu”: Quem vai lhe apagar a brasa/ (...) Só quem sabe dela sou eu/ Quem dá o baralho sou eu/ Quem manda no samba sou eu, o letrista aclamado por compreender tão profundamente a alma feminina parece resistir ao tempo, como mostra a faixa “Se eu soubesse”: Ah, se eu pudesse te diria na boa/ Não sou mais uma das tais/ Não ando com a cabeça na lua. Nem cantarei 'eu te amo demais/ Casava com outro se fosse capaz/ Mas acontece que eu saí por aí/ E aí, larari larari larari larara, cantarola Thais Gullin em um dueto com Chico.
Lararis lararas à parte, Chico Buarque aparece mais despreocupado, seja com seus versos ou com os rótulos que durante toda a carreira insistiram em lhe fazer caber. No samba “Barafunda”, a Aurora para quem a faixa “Rubato” é dedicada torna a aparecer na confissão de um boêmio desmemoriado, que não recorda se de fato era Aurora, Glorinha, Maristela, Soraia, Anabela...
Apesar disso, Chico tem uma unidade e funciona como o retrato de um homem que, com cabelos cinza, continua apaixonado e aposta seu tempo em um relacionamento do qual ele próprio desconfia. A semelhança com o diálogo presente em “Noite dos Mascarados”, de 1967, não é mera coincidência, já que a figura do homem mais velho que manda a razão às favas ao envolver-se com uma mulher mais jovem está presente em “Essa pequena”: Meu tempo é curto, o tempo dela sobra/ Meu cabelo é cinza, o dela é cor de abóbora.
As canções do disco têm ritmos variados, o que atesta a instabilidade e confusão típicas de uma paixão. Samba, baião e música étnica se misturam nesse último trabalho de Chico, que lança mão do sentimento a despeito das vociferações políticas de outrora. O cantor, que mesmo sem querer fora porta-voz da luta contra o cerceamento da liberdade de expressão ficou para trás e, aos 67 anos, compõe sobre assuntos leves, como cotidiano (mais uma vez) e amor.
Mas o brilhantismo do autor é ofuscado por esse turbilhão de sentimentos que transborda faixa a faixa. Diferentemente da banda que enfeitou toda a cidade e das letras que arrepiaram paralelepípedos, as novas criações de Chico não se sobressaem ao lado dos trabalhos de jovens como Tulipa Ruiz (“Só sei dançar com você”), Thiago Pethit (“Mapa-Mundi”) e Marcelo Camelo, que também versa sobre a presença feminina no disco Toque Dela. Fosse hoje o festival da música popular brasileira, Chico Buarque correria sério risco de não sagrar-se vencedor. Com rimas simples, as letras dispensam esforço para serem compreendidas: mulheres, amigos, a boemia e a vida aparecem nas músicas que, apesar de terem mais que cento e quarenta caracteres, são breves como as paixões e bem poderiam ser um “twitt musical”.
Talvez a grande sacada de Chico esteja em “Sinhá”, composta em parceria com João Bosco. Escolhida para encerrar o álbum, a música surpreende ao revelar que o disco não passou de um conto: E assim vai se encerrar/ O conto de um cantor/ Com voz do pelourinho/ E ares de senhor/ Cantor atormentado/ Herdeiro sarará. A faixa, aliás, dialoga com Leite Derramado, último romance de Chico, que rememora um Brasil Colônia e também tem características autobiográficas. Pode ser que o disco espelhe a vida sentimental de Chico Buarque, mas o autor deixa a dúvida no ar ao revelar seu álibi – quem preferir pode chamar de piada mesmo; no offense.
Sem dúvida, esse moço está diferente, mas continua misterioso e sagaz como sempre. Não foi à toa que o nome escolhido para essa grande brincadeira tenha sido simplesmente Chico, pois, se em 1994 ele concebia um disco para todos, dezessete anos depois o artista elabora um disco para si, cujo grande axioma é falar de paixão sem paixão.
quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
Nossa lagoa não é nada azul
Postado por
Luana Ribeiro
às
11:16
São Paulo parece a Sessão da Tarde, que todo ano reprisa A Lagoa Azul. Só que a nossa lagoa não é tão azul, e nós, paulistas, não estamos ilhados no paraíso.
Todo início de ano são as mesmas cenas: as chuvas de janeiro alagam toda a cidade, milhares de pessoas perdem suas casas e algumas famílias perdem pais, mães, filhos... Aí vem o Kassab e diz, brilhantemente, que o que aconteceu foi chuva, foi água!
Pergunto: o que fazia a prefeitura quando essas pessoas invadiam área de mananciais? As pessoas vão, sim, invadir, porque não há casa para todos, não existe projeto de habitação popular. Claro que nossa falta de cuidado com o meio ambiente talvez tenha 90% de participação nisso, mas a catástrofe poderia ser evitada, não fosse tamanho descaso dos governos. Há mais de trinta anos a situação se repete - tempo maior que o de reprises televisivas de A Lagoa Azul (1980). E nós nem temos a Brooke Shields...
Todo início de ano são as mesmas cenas: as chuvas de janeiro alagam toda a cidade, milhares de pessoas perdem suas casas e algumas famílias perdem pais, mães, filhos... Aí vem o Kassab e diz, brilhantemente, que o que aconteceu foi chuva, foi água!
Pergunto: o que fazia a prefeitura quando essas pessoas invadiam área de mananciais? As pessoas vão, sim, invadir, porque não há casa para todos, não existe projeto de habitação popular. Claro que nossa falta de cuidado com o meio ambiente talvez tenha 90% de participação nisso, mas a catástrofe poderia ser evitada, não fosse tamanho descaso dos governos. Há mais de trinta anos a situação se repete - tempo maior que o de reprises televisivas de A Lagoa Azul (1980). E nós nem temos a Brooke Shields...
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
Fubáesal
Postado por
Luana Ribeiro
às
10:00
Era o dia mundial sem carro e eu, como boa cidadã (sem carro próprio), havia descido do ônibus e cumpria o restante do trajeto andando. Estava absorta em pensamentos cruzados: estava empolgadíssima com a leitura de um não-ficção que ganhei de presente, ainda sentia o calor de um mimo que dei ao meu estômago e por fim, agitadíssima, me preparava para um dia inteiro sem acesso às redes sociais.
- Moçá, por favor. Disse se aproximando. Fique tranqüila, eu sou do bem. Continuou
Acreditei, guardando o celular no bolso. O que tiver que ser...
- Eu... É que... Você mora por aqui?
- Pode falar
- Meu filho está trabalhando há sete dias no supermercado não-se-das-quantas [ah, é? onde fica?!], eu estou há três não sei onde. Só tenho fubáesal em casa.............. Já fui no supermercado (enoooorme, cresce a velocidade chinesa e agora se auto-entitula HIPERcenter), mas o segurança me disse que lá não posso pedir. Eu não quero dinheiro. Só tenho fubáesal em casa. A última coisa que quero é me prostituir [sem apelação, please]. Eu quero... ME AJUDA?! Disse, constrangida, me olhando nos olhos.
- Espere aqui. Vou em casa e já volto.
“Posso esperar aqui?”, perguntou, com descrença e esperança.
- Pode.
- Meu nome é Dulcinéia... Informou a mulher de brincos de argola prateados, bermuda jeans e uma regata branca.
Apertei o passo e fui pra casa. O porteiro falador bateu no vidro e me chamou. “Na volta, na volta!”, respondi apressada.
Arroz, feijão, açúcar, óleo, molho de tomate, um pouco disso e daquilo... Acho que vai ajudar, afinal, só “fubáesal”.
Desci as escadas e subi a rua, apressada. “Dulcinéia!”, gritei a ela, que estava uma rua abaixo do local combinado [não ia me esperar lá?].
- Olha aqui a moça! Disse pra não sei quem do lado de dentro de um condomínio. [Eu? Sim, até quando vai pensar que parece uma adolescente? Você, “a moça”]. Olha quanta coisa, muito obrigada! Te amo, de coração! E sumiu no vento.
Voltei, caminhando, pensando que, putz! Podia ter trazido aqueles pães para ela torrar. Será que ela já foi?
Cheguei, atendi o porteiro-Miguel, entrei no apartamento e parei em frente à janela, olhando a noite, a cidade ao fundo, a vizinha que arrumava as cortinas sem se incomodar com minha indiscrição.
Tá vendo? Cara, eu reclamo e estou aqui, olhando pela janela do meu apartamento – quem sabe ela passa aqui em frente? Eu gritaria o nome dela e levaria os pães... Tenho TV por assinatura, internet, muito mais que fubáesal. E eu preocupada com meu Day off, rá! “Amanhã é o primeiro dia da primavera, não vou comentar? Ver o que se fala rede adentro?” Só fubáesal...
Quero ver o que deu aquela história da Liz – autora-personagem do livro – na Itália. Será que eu aguento, um dia sem internet desnecessária? Dia mundial sem carro, bela merda, querem importar as gracinhas européias sem infraestrutura, pois bem. Só fubáesal... Um dia inteiro com um texto pronto sem poder postar. Será que eu consigo?!
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
"Muito pouco"
Postado por
Luana Ribeiro
às
13:09
Quanto tempo você consegue ficar sem seu celular? Tem certeza? Já fez o teste? Mas eu não estou falando de ir para a praia e desligar o aparelho, de propósito. Nada de day off. Estou falando de ficar em São Paulo sem celular. Parece impossível? Te deu calafrios só de pensar? Pois então acho que você também é um tecnodependente.
Explico. Domingo esqueci o celular no carro de uma amiga. Marquei com ela de buscar na quinta-feira e no meio da tarde ela me ligou, no celular, para dizer que não iria me econtrar. Reparou? Me ligou no celular, que estava com ela... Vida moderna tem dessas coisas, mesmo para quem não nasceu em 1992.
Bem, fiquei cinco dias sem celular e digo: foi estranho. Estava faltando algo... Não tinha despertador sms ligações calculadora calendário música... Tuitei menos, facebookei menos... É, e daí?! Todas as ferramentas existem antes do celular, à exceção da sms. Redes sociais são matadores profissionais de tempo útil. E a gente vive disso! Foi assim que me auto diagnostiquei como tecnodependente. O que mudou desde então?! Nada, nadinha.
Ontem peguei o celular, ufa! E já faz quase 24h que não me desgrudo dele. E viva a tecnologia! ;)
Explico. Domingo esqueci o celular no carro de uma amiga. Marquei com ela de buscar na quinta-feira e no meio da tarde ela me ligou, no celular, para dizer que não iria me econtrar. Reparou? Me ligou no celular, que estava com ela... Vida moderna tem dessas coisas, mesmo para quem não nasceu em 1992.
Bem, fiquei cinco dias sem celular e digo: foi estranho. Estava faltando algo... Não tinha despertador sms ligações calculadora calendário música... Tuitei menos, facebookei menos... É, e daí?! Todas as ferramentas existem antes do celular, à exceção da sms. Redes sociais são matadores profissionais de tempo útil. E a gente vive disso! Foi assim que me auto diagnostiquei como tecnodependente. O que mudou desde então?! Nada, nadinha.
Ontem peguei o celular, ufa! E já faz quase 24h que não me desgrudo dele. E viva a tecnologia! ;)
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
Presente virtual
Postado por
Luana Ribeiro
às
15:12
Desculpe, se você achou que isso aqui seria um texto sobre Matrix, A Origem ou qualquer coisa do gênero. Nada disso! Este post é para tirar o pó do blog, dizer que novas ideias estão a caminho e agradecer a gentileza do R., autor do blog Devaneios Urbanos (aquele ali, da listinha ao lado).
Qual não foi a minha surpresa ao ver que ele agradecia a minha companhia! Veja, meu caro: nós, leitores, é que agradecemos pelas postagens frequentes, por partilhar conosco tão boas ideias. Não, R., na internet, ninguém está sozinho - o grande irmão olha por nós ;)
Qual não foi a minha surpresa ao ver que ele agradecia a minha companhia! Veja, meu caro: nós, leitores, é que agradecemos pelas postagens frequentes, por partilhar conosco tão boas ideias. Não, R., na internet, ninguém está sozinho - o grande irmão olha por nós ;)
quarta-feira, 16 de junho de 2010
Diferente no presente
Postado por
Luana Ribeiro
às
11:32
Ela, impaciente. Ele, distraído.
Ele, bem disposto. Ela mal dormida.
Os dois cumprindo obrigações.
Ela querendo um café. Ele, curtindo um som.
Ela irritada. Ele divertindo-se.
Ambos num cantinho-apertadinho do metrô.
Ela não leva pra casa:
- Pode abaixar o som?!
Ele bem criado, sempre de toddy tomado.
Ela agradece:
- Obrigada, não aguentava mais esse ziriguidum!
Ela e ele, dois destinos descruzados.
Ele, bem disposto. Ela mal dormida.
Os dois cumprindo obrigações.
Ela querendo um café. Ele, curtindo um som.
Ela irritada. Ele divertindo-se.
Ambos num cantinho-apertadinho do metrô.
Ela não leva pra casa:
- Pode abaixar o som?!
Ele bem criado, sempre de toddy tomado.
Ela agradece:
- Obrigada, não aguentava mais esse ziriguidum!
Ela e ele, dois destinos descruzados.
quinta-feira, 6 de maio de 2010
Intimidade inesperada
Postado por
Luana Ribeiro
às
09:56

"Solidão é lava
Que cobre tudo
Amargura em minha alma
Sorri seus dentes de chumbo...
Solidão, palavra
Cravada no coração
Resignado e mudo
No compasso da desilusão...
Viu!
Desilusão, desilusão,
Danço eu, dança você
Na dança da solidão"
Dança da Solidão, Paulinho da Viola
O Guru do Amor, um aplicativo divertido do Facebook (e qual não é?!), me disse "Vá para casa, não tem nada de bom para você na rua hoje". Rá! Eu não tinha mesmo nada para fazer na rua, já que nem de futebol eu gosto. Lá estava eu, na lotação, observando a paisagem/mandando um sms para agradecer um convite e dizer que eu não poderia comparecer...
Que cobre tudo
Amargura em minha alma
Sorri seus dentes de chumbo...
Solidão, palavra
Cravada no coração
Resignado e mudo
No compasso da desilusão...
Viu!
Desilusão, desilusão,
Danço eu, dança você
Na dança da solidão"
Dança da Solidão, Paulinho da Viola
O Guru do Amor, um aplicativo divertido do Facebook (e qual não é?!), me disse "Vá para casa, não tem nada de bom para você na rua hoje". Rá! Eu não tinha mesmo nada para fazer na rua, já que nem de futebol eu gosto. Lá estava eu, na lotação, observando a paisagem/mandando um sms para agradecer um convite e dizer que eu não poderia comparecer...
Enquanto isso, a menina sentada ao meu lado tentava indisfarçadamente ler a minha mensagem. Eu, de soslaio, olhava e virava, em vão, o celular na direção oposta. Eis que, de repente, ela me cutuca:
- Desculpe, eu indiscretamente li sua mensagem. Acho que estou passando por uma situação parecida...
Indiscretamente? Imagiiiiineee! Eu, com aquela cara de "cadê a câmera?!" disse, "é?". Foi a deixa. No instante seguinte ela me contava suas decepções e indignações. Falou, falou, falou...Até se emocionar.
Eu ouvia com cuidado e pensava em contar tudo para uma amiga debochada que ia amar me sacanear quando soubesse de tudo. "Ahahaha, justo você, Coração Gelado?!". (Foi mais ou menos o que ela disse, rs).
Enfim, fiquei paralizada, chocada. Falei um pouco enquanto tentava ficar um pouco mais à vontade com aquilo tudo. Passei para ela meu msn e orkut, e ficamos até tarde conversando.
Mais de cem amigos no orkut, ela tem. E deve ter um montããão de contatos no MSN. Olha só que paradoxo. Um colega no trabalho me disse que isso é coisa da juventude pós-moderna, que vive na era do "Eu Futebol Clube". Pode ser.
Só sei que me espantou aquela solidão de. vas .ta. do. ra. Um vazio, uma falta de amor, uma saudade de um amigo que nunca existiu. Falta de apoio, de gravidade... Me olhou e achou que podia contar comigo.
- Eu não te conheço mas foi muito bom falar com você. Você me parece uma boa pessoa. Já segui seu conselho. Deus sabe o que faz. Foi ele quem botou você no meu caminho.
Vai ver, foi mesmo.
PS: coisa de brasileiro, pra quem a espontaneidade é algo intrínseco. Repare no som: intimiDADE. Eu acho escancarado, a palavra não exprime o sentido. Agora em inglês: Intimacy. É muito mais reservado, não?!
quinta-feira, 8 de abril de 2010
Um saco de sal
Postado por
Luana Ribeiro
às
14:22
Vez em quando minha mãe resgata umas expressões que, penso eu, devem morar lá na cabeça dela mas ela deixa adormecer até que uma situação a ressuscite. Outro dia me saiu com essa: para conhecer bem alguém você tem que comer muito sal junto!
- Que história é essa de sal, agora, mãe?!
- Minha avó que dizia "Não se conhece alguém até que se coma um saco de sal juntos"
-Um saco de sal?! Um quilo? Quê?!
-É. Na casa da minha avó o sal vinha assim em um saco, do tamanho desse de batata, que você vê na feira...
-Ah, tá...
-Imagine só quanto tempo demora para consumir tudo isso...
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